Estivadores e policiais militares se enfrentaram nesta segunda-feira em uma série de manifestações organizadas pela categoria. Cerca de 60 pessoas foram detidas e oito ficaram feridas.
No Terminal da Libra, os grevistas tentaram impedir a operação de um navio. A Tropa de Choque foi chamada para reprimir a manifestação e acabou encontrando resistência dos trabalhadores. A Avenida Portuária foi interditada com pedras, galhos de árvores e pequenas fogueiras. Caminhões que se encontravam estacionados naquela região tiveram os pára-brisas quebrados durante a confusão. Para acalmar os manifestantes, os policiais utilizaram bombas de efeito moral.
O número de trabalhadores que aderiram à greve subiu de seis mil para 11 mil nesta segunda. Os prejuízos causados pela paralisação do porto de Santos já chegam a R$ 2 milhões pelos sete dias de greve.
A categoria deve se pronunciar sobre o final da paralisação nesta terça-feira. Em audiência pública no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de São Paulo, na tarde de segunda, os estivadores do Porto de Santos pediram um prazo para decidir se continuam ou não a greve. O Ministério Público concedeu 24 horas para a categoria, que deve se manifestar até as 17h desta terça. Se o protesto continuar, deverá ser julgada a sua legalidade.
Os estivadores protestam contra a decisão da Justiça de entregar ao órgão Gestor de Mão-de-Obra (Ogmo) a responsabilidade pela escalação de trabalho, tarefa antes efetuada pelo sindicato da categoria.
Apesar de concedido o prazo pedido pelos estivadores, o presidente do TRT, juiz Francisco Antonio de Oliveira, sugeriu que os trabalhadores encerrem o estado de greve imediatamente. Ele também propôs a suspensão por 30 dias do dissídio da 6Ş Vara do Trabalho de Santos, que determinava a realização da escala de trabalho da categoria pelo Ogmo, sem a intervenção do sindicato. Segundo o juiz, durante este período acontecerá um estudo a metodologia da escala.
Em assembléia realizada na noite desta segunda, os trabalhadores portuários decidiram manter a greve, mas a decisão final deve sair em nova reunião que acontecerá na manhã desta terça-feira.
A assembléia aconteceu em um clima tenso, com discursos empolgados pedindo uma paralisação geral. Os conflitos ocorridos durante a tarde foram lembrados pelos grevistas e o prefeito da cidade, Beto Mansur (PPB), foi incitado pelos trabalhadores para se pronunciar a respeito. Ele apareceu e defendeu uma negociação entre os trabalhadores e os dirigentes do Terminal da Libra, que insistiam em manter as operações nos navios.