Justiça considera greve de estivadores abusiva

Roney Domingos
Do Diário do Grande ABC com Agências
3 abril 2001
http://www.dgabc.com.br/Economia/Economia.idc?conta1=199162

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O Tribunal Regional do Trabalho (TRT) declarou nesta terça-feira, por unanimidade, abusiva a greve dos estivadores do Porto de Santos. Além do problema econômico causado pela greve, que completou oito dias, os juízes destacaram o caráter violento das manifestações. O TRT decidiu elevar de R$ 50 mil para R$ 200 mil a multa diária que havia sido imposta à categoria. Os funcionários do porto afirmaram, após o julgamento, que vão continuar as manifestações.

A Força Sindical informou que está articulando para esta quarta-feira, às 10h, reunião com o procurador-geral do Ministério do Trabalho, Guilherme Passos, na tentativa de encontrar saídas para a questão da contratação de mão-de-obra no Porto de Santos, que motivou a greve dos portuários.

O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Horácio Lafer Piva, pediu, em nota oficial, que o governo estadual mantenha “ação firme” para garantir a ordem no Porto de Santos. Segundo ele, os prejuízos estão aumentando, e as indústrias preparam estratégias para movimentar produtos e insumos por outros portos.

A Associação Brasileira de Comércio Exterior (Abracex) calcula em cerca de US$ 200 milhões os prejuízos das empresas com a paralisação do porto. O presidente da entidade, Roberto Segatto, afirmou que o porto, principal para movimentação de produtos industrializados no país, responde por cerca de 40% do volume financeiro das atividades de exportação e importação do Brasil.

O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), José Carlos Pinheiro Neto, disse nesta terça-feira que a greve começa a atrapalhar as exportações. De acordo com ele, os portos de Santos e de Sepetiba, no Rio de Janeiro, são os mais utilizados pelas montadoras do Grande ABC. A paralisação dos estivadores afeta as exportações. Pinheiro Neto ressaltou que desconhece a situação dos estoques de peças importadas das montadoras, mas acredita que a paralisação pode atrapalhar a produção de veículos.

O gerente de vendas da Volkswagen, Luiz Muraca, disse que a paralisação do porto impediu o embarque de 2, 5 mil veículos que seriam exportados para os Estados Unidos. O volume deverá entrar nos resultados do mês de abril. De acordo com ele, Santos é a principal rota de saída de veículos da Volkswagen para outros países.

O início da greve, há uma semana, interrompeu o carregamento de um navio contendo 1, 2 mil veículos. A Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) informou que o carregamento de veículos depende dos estivadores para realizar manobras no interior do navio. Os veículos que saem das montadoras são transportados para os pátios das empresas responsáveis pelo embarque situados próximos aos terminais retroportuários.